A necessidade do compartilhamento de infraestrutura

Com os processos de privatização e expansão que o mercado de telecomunicações brasileiro passou nos últimos anos, inúmeras empresas entraram no setor. Isso representou um crescimento importante, mas trouxe novas problemáticas de infraestrutura. O espaço que hoje os provedores disputam para instalação de cabos não é suficiente para atender as demandas existentes, e com a necessidade cada vez maior de ampliação da capacidade das redes, vem o debate sobre o compartilhamento de postes.

Na prática, esse compartilhamento envolve as distribuidoras de energia, que detém a infraestrutura, e as prestadoras dos serviços de telecomunicações. É importante entender que não se trata apenas de uma questão de redução de custos e viabilização dos serviços prestados. A ocupação irregular de postes é um problema de segurança, tanto para as empresas envolvidas, quanto para a população em geral.

Excesso de fios e cabos em uma ocupação desordenada pode gerar dificuldade de acesso à rede elétrica, assim como empresas com projetos não autorizados podem ter fios cortados pela fiscalização, causando riscos de acidente e grande poluição visual.

Por isso, é importante estar sempre atento à legislação. Segundo as normas vigentes na atualidade, abaixo dos cabos elétricos, existe um espaço determinado de 500 milímetros (meio metro) com cinco pontos de fixação de cabos de internet, telefonia e TV por assinatura. É nítido que esse espaço não comporta a instalação de dezenas de empresas que muitas vezes operam simultaneamente na mesma região, então como resolver o problema?

A tecnologia deve ajudar a solucionar o impasse das empresas

O compartilhamento de postes é viável visto que existem microdutos capazes de suportar até sete microcabos de fibra óptica. Ou seja, em tese é possível que provedores ocupem o mesmo espaço nos postes. Porém, na prática ainda existe alguma resistência para que os acordos aconteçam, principalmente por apreensão de que funcionários de outras empresas cometam erros que prejudiquem o serviço dos restantes. Assim como existem regras que regulam a implementação das redes, certamente será necessário estabelecer garantias para que a relação entre todas as partes seja estável e duradoura.
manutençao em cabos de energia

O compartilhamento organizado de infraestrutura pode reduzir consideravelmente os custos para a expansão e universalização, antecipando a implementação e a melhoria dos serviços de telecomunicação. E é necessário que os provedores tenham essa consciência.

Como já apontado no texto sobre ampliar a capacidade de sua rede óptica em 2020, tecnologias como IoT e o crescimento acelerado do percentual de domicílios com acesso a internet impõem que exista uma preocupação genuína com a boa implementação de rede e manutenção de uma estrutura estável.

E quais são os passos a seguir para viabilizar o compartilhamento de postes?

1 - Licenciamento do Provedor

Antes de tudo, é preciso legalizar suas atividades enquanto prestador de serviços de telecomunicações junto à Agência Nacional de Telecomunicações. Além do credenciamento ou outorga pela agência, também é necessário que o provedor possua registro junto ao CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) ou ao CFT (Conselho Federal dos Técnicos Industriais). Para saber mais sobre todo o processo de credenciamento e homologação de licenças da Anatel, basta acessar o site oficial.

2 - Contato com a distribuidora de energia elétrica

Como geralmente os provedores têm passado cabos por postes de energia elétrica, ter um contrato com a concessionária responsável também é necessário para utilização dos mesmos. O primeiro passo aqui é elaborar um projeto para saber quais postes serão utilizados e como sua rede será estruturada. Ter bastante noção sobre os detalhes da rede é fundamental para que um bom projeto seja feito, afinal são exigidos diversos cálculos para que se transcreva o mais próximo possível a realidade da implantação.

E esteja atento a como funcionam os contratos com sua concessionária local. Por mais que a Anatel tenha liberado pequenos provedores da outorga, sendo necessário apenas o credenciamento para funcionar, algumas empresas de energia podem solicitar a outorga para realizar o compartilhamento de postes.

3 - Registro completo e organizado da rede

Ter um planejamento organizado é imprescindível, antes e depois do processo de instalação da rede. O mapeamento detalhado e preciso facilita o trabalho dos técnicos, poupa tempo e recursos do provedor, e é fundamental na hora de qualquer manutenção.

Processos bem documentados fazem com que problemas sejam facilmente resolvidos, e facilitam caso precise prestar contas a algum dos órgãos reguladores. Esse é o momento de começar a pensar estrategicamente para desempenhar suas funções com máxima eficiência. Entender a importância do mapeamento de rede vai ajudar no crescimento qualitativo do seu provedor.

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